Humildade científica

30/01/2011

De Marcelo Gleiser no livro Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza (Editora Record, 2010)

A ciência é uma construção humana, uma narrativa que criamos para explicar o mundo a nossa volta. As “verdades” que obtemos como a lei da gravidade universal de Newton ou a teoria da relatividade especial de Einstein, apesar de brilhantes, funcionam apenas dentro de certos limites. Sempre existirão fenômenos que não poderão ser explicados por nossas teorias. Novas revoluções científicas irão acontecer. Visões de mundo irão se transformar. Infelizmente, vaidosos que somos, atribuímos peso demais às nossas conquistas. Iludidos pelo nosso sucesso, imaginamos que essas verdades parciais são parte de um grande quebra-cabeça, componentes de uma Verdade Final, esperando para ser desvendada (p. 25).

O primeiro passo é admitir que a ciência tem limites, que a sua prática e os cientistas que a praticam têm limites. A ciência tem que ser humanizada, relacionada com a cultura em que existe. Precisamos confessar nossa surpresa ao nos depararmos com um Universo aparentemente cada vez mais misterioso; precisamos ser mais humildes ao declarar o quanto sabemos sobre o mundo, não nos esquecendo do quanto não sabemos (p. 42).

Este é um pequeno trecho do ótimo livro do Marcelo Gleiser. Resolvi compartilhar neste blog não porque resuma o livro (longe disso), mas porque este blog acabou tratando bastante de ciência (não só o uso da Web 2.0 para a colaboração científica, tema da minha dissertação de mestrado).

No mais, recomendo a leitura deste livro sobre as tentativas da ciência em compreender a origem do universo e a beleza dessa coisa rara, única que é nosso planeta e o ser humano, para o Gleiser (neste livro), “acidentes imperfeitos da criação”.


Publish or perish

10/05/2010

Compartilho (na íntegra) matéria lúcida de Renato Mezan no caderno “mais!” da Folha de São Paulo do dia 09 de maio de 2010.
+(s)ociedade

O fetiche de quantidade

Metas de produtividade e burocracia acadêmica diminuem o potencial de pesquisas científicas

A criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil

RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA

A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande número de pessoas envolvidas nos diversos níveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma preferência por medidas quantitativas.

Se estas podem trazer informações úteis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho médio de alunos em determinada matéria, sua aplicação como único critério de “produtividade” na pós-graduação vem gerando -a meu ver, pelo menos- distorções bastante sérias.

Não é meu intuito recusar, em princípio, a avaliação externa, que considero útil e necessária. Gostaria apenas de lembrar que a criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichização da forma “artigo em revista” em detrimento de textos de maior fôlego, para cuja elaboração, às vezes, são necessários anos de trabalho paciente.

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Pesquisa completa

25/04/2010

A Dissertação de mestrado pode ser acessada em:

www.cin.ufsc.br/pgcin/AlessandraGaldo.pdf


Colaboração científica por meio da Web 2.0 (via Prof. Aldo Barreto)

16/03/2010

Reproduzo aqui notícia postada pelo Prof. Aldo Barreto em seu blog.

E-Ciência nas Bibliotecas de Pesquisa

“A agência norte-americana National Science Foundation, divulga que a colaboração entre cientistas em época da Web 2.0 nunca foi tão forte. Essa tendência parece ser maior na União Europeia. A metade dos artigos científicos produzidos pelos países do bloco foi em coautorias internacionais.

A Europa teve uma política científica voltada para o estímulo e integração de seus cientistas. O fenômeno está espalhado pelo mundo inteiro e permeia todas as disciplinas apontam os especialista em cienciometria.”

Do blog do Prof. Aldo Barreto. Continua aqui



Dissertação de mestrado

05/03/2010

Dissertação de mestrado defendida em 01/03/2010 e aprovada com conceito A.

Compartilho a apresentação da defesa e informações que possam interessar aos mestrandos, aos colegas da CI e a todos que se interessem pelo tema da Web 2.0, mais especificamente na colaboração científica.

Minha gratidão aos professores de mestrado e doutorado em Ciência da Informação que, generosamente, colaboraram respondendo à pesquisa.

Agradeço ao Professor Aldo Barreto, Professora Ursula Blattmann e Professor Francisco das Chagas por terem aceito participar da banca examinadora.

Aos parceiros de academia e amigos com quem troquei pontos de vista por meio da Web 2.0, como blogs, Twitter, e-mail ou mesmo pessoalmente. Ao Carlos Nepomuceno, Moreno Barros, Fabiano Caruso, Rafaela Lunardi Comarella entre tantos outros. Não há como nomear a todos, mas a colaboração generosa dessas pessoas faz parte das ideias desenvolvidas neste trabalho.

APRESENTAÇÃO DA DISSERTAÇÃO

E continuo na academia, agora cursando o doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento na UFSC. O que prova que cursar o mestrado e defender a dissertação “nem doeu” … :)



Web 2.0

05/03/2010

A primeira coisa sobre a Web 2.0: A Web 2.0 é uma atitude (an atittude, not a technology), como afirma O’Reilly.  É isso que estou fazendo agora: estou compartilhando meu trabalho, pensamentos e ideias, abrindo o tema para você acrescentar seu conhecimento, fazer perguntas, discordar, construir em colaboração, remixar minhas ideias e informações (veja a licensa Creative Commons), compartilhar, acrescentar. (reparou naquele espacinho pra comentários, lá embaixo?) ;)


WEB X WEB 2.0

Fonte: Adaptado de COZI, 2007
Ilustração: Guilherme Galdo Ruchaud

IDEAIS DA WEB 2.0

A Web como plataforma;
Informação controlada pelo usuário;
Ferramentas no formato de serviços Web ao invés de softwares proprietário;
Arquitetura participativa;
Rentabilidade de escala, o que significa nenhum custo para o usuário, na medida em que empresas anunciantes patrocinam o serviço, remunerado pela quantidade de vezes em que o consumidor “clica” em seus banners, ou efetivam uma compra;
Informações e dados (textos, imagens, vídeos) com permissões de livre distribuição ou modificação, segundo critérios definidos pelo autor;
Aplicações não limitadas a um determinado sistema operacional ou hardware;
Aproveitamento da inteligência coletiva.

Fonte: Adaptado de O’Reilly (2005, p. 1).

FERRAMENTAS WEB 2.0

FERRAMENTAS WEB 2.0

FERRAMENTA DEFINIÇÃO
Weblogs Ferramenta para publicação de informações, opiniões e ideias, com espaços  para comentários de outros usuários da  Internet. Somam o poder noticiador dos grupos de discussão às informações organizadas nas páginas web (ANTOUN, 2008). Os weblogs ou blogs são personalizados pelo autor/autores e podem conter textos, imagens, vídeos, ferramentas de busca, links para outros blogs, estatísticas de acesso, “nuvem detags”, entre outros recursos.
Wikis Ambiente em que cada usuário redige e comenta um determinado termo acessível a todos os outros, que o lêem, e podem também contribuir com alterações. (CAVALCANTI; NEPOMUCENO, 2007, p. 24). Os wikispermitem a criação coletiva de conteúdo na web e possuem formas de regulação da produção da coletividade (PRIMO, 2008a) O exemplo mais conhecido é a Wikipédia. Ferramentas wiki têm um grande potencial para a construção colaborativa de trabalhos acadêmicos.
Sites de Redes Sociais Site que foca a publicização da rede social dos atores (usuários da Internet). Representam processos dinâmicos em conseqüência dos processos de interação entre esses atores. (RECUERO, 2009).
Folksonomias Ferramentas de classificação, recuperação e compartilhamento da informação, na qual os usuários colaboram livremente na classificação da informação. As “nuvens de tags”, uma das formas de navegar pelas informações classificadas espontaneamente pelos usuários, modificam-se em tempo real, em interação constante entre os usuários e a informação, modificando também a relação de tempo entre a classificação da informação e o seu uso.(CATARINO; BAPTISTA, 2007)
Compartilhamentode vídeos Usuários da Internet compartilham vídeos criados por outros ou criam seus próprios vídeos e os compartilham livremente. Alguns vídeos bem como alguns autores de vídeos têm se tornado mundialmente acessados sem que haja nenhuma motivação financeira direta. Vários tipos de vídeos têm sido produzidos, desde vídeos humorísticos a vídeos educativos. O Youtube, ferramenta mais popular de compartilhamento de vídeos, tem um grande número de vídeos com aulas expositivas, palestras, demonstração de experiências, entre outros de interesse acadêmico.
Compartilhamento de apresentações / slides Autores compartilham apresentações e slides de palestras e/ou aulas. O autor define a permissão de uso, cópia ou distribuição.
Leitor de RSS(Really Simple Syndication) Feeds Agregador de notícias, amplamente utilizado pela comunidade dos blogs, para compartilhar as suas últimas novidades ou textos completos e até mesmo arquivos multimídia. (WIKIPEDIA, 2009).
Serviços demicroblogs A primeira ferramenta de microblog e, ainda, a mais popular é o Twitter. Foi criado inicialmente com a pergunta: “O que você está fazendo?” para que cada usuário respondesse, compartilhando com pessoas que o acompanham, ao mesmo tempo em que receberia curtas mensagens das pessoas que optasse por acompanhar (seguidos e seguidores). Entretanto, os usuários descobriram outras funções e criaram aplicativos para serem usados em conjunto com o Twitter, como programas que condensam os endereçosweb em poucos caracteres. Com isso, a ferramenta passou a ser utilizada com maior frequência para compartilhar informações por meio dos links. A comunidade acadêmica utiliza a ferramenta, principalmente com a finalidade de compartilhar links de interesse de seu grupo.

Dissertação de mestrado completa compartilhada nesse link ou no slideshare (enquanto não é disponibilizada pela Biblioteca da UFSC)

Como citar:

Galdo, Alessandra. Web 2.0 e colaboração científica: análise do uso científico-acadêmico por docentes de pós-graduação stricto sensu em Ciência da Informação no Brasil. 2010. 154 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)-Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.


Já que não sou artista…

07/01/2010

Sabe quando um artigo (ou uma dissertação, ou uma tese, ou um livro) está bom o suficiente?

Quando solucionamos o problema da pesquisa? Hmmm,  mas ainda assim, se pensar bem, ainda há considerações que poderiam ser feitas… E será que aquele dado estatístico está certo? E se eu explorasse mais isso ou aquilo? E aquele novo problema de pesquisa que apareceu? Começo a discuti-lo? Não, não é quando solucionamos o problema da pesquisa que o trabalho termina! É quando sabemos definir uma data limite (ou quando não conseguimos mais olhar aquele trabalho, ou seja, chegamos à saturação do problema).

Sempre há o que melhorar, sempre há artigos novos brotando dos periódicos (e como brotam) que poderiam ser usados na discussão dos resultados, sempre há aquele insight que pinta naquela hora em que você nem estava pensando no assunto, sempre tem aquele palpite ótimo de um amigo brilhante…

Só os artistas plásticos conseguem (podem) trabalhar em uma obra até achar BOA O BASTANTE. Ou repintar a tela toda ou desfazer a escultura e refazer até extrair dela tudo o que tinha a mais….

Como não sou Picasso…

Um dia talvez escreva um livro, um romance baseado em Guernica, meu tio Ramón (também retratado ali com toda a dor da guerra civil espanhola) e minha tia Maruja que esperou por 10 anos que ele deixasse a prisão, apesar de Franco jamais ter anistiado nenhum preso político. Mas meu tio saiu! Saiu às custa da família vender terras e gado para subornar alguém (que nunca se sabera quem era).

E meu tio deixou a prisão para viver como clandestino por 18 lindos anos ao lado da mulher que o esperou 10 anos.

Montaram um negócio no nome de um amigo e sócio porque ele viveu o resto da vida como clandestino.  Morreu com pouco mais de cinquenta anos por causa da saúde debilitada pelos anos de prisão. Mas, antes disso trataram de ser felizes! Tiveram dois filhos, meus primos Jose e Pablo que hoje tem filhos e dão continuidade à história daquele aviador treinado na URSS para pilotar um Tupolev e lutar contra Franco.

Meu tio Ramón (que eu só conseguia chamar de “jamón”) era um dos “rojos”, mas para mim era o cara mais divertido e engraçado do mundo, dono do “perro que habla”, mas que não hablava na minha frente por que era um perro tímido. Meu tio tinha sempre uma piada na ponta da língua. Principalmente contra o catolicismo, para pegar no pé da minha avó super católica, que igualmente respondia com humor  inteligente. Naquela casa até Deus devia achar graça dos embates e brincadeiras em torno de sua figura. Pra quem não sabe, a religião está nas origens da guerra civil na Espanha. Se tornou uma questão ideológica, mais do que de fé.

Voltando à Guernica, um pouco da história da minha mãe também está retratada ali. Ela nasceu em 1936 no Brasil, durante uma viagem dos meus avós espanhóis que deveria durar um ano. Meu avô era químico perfumista e estava aqui para montar uma fábrica da Mirurgia. Quando estourou a guerra civil, meu avô se viu na obrigação de  retornar à Espanha, levando minha mãe com menos de um ano de idade.

Ela só voltou ao Brasil mais de 20 anos depois quando conheceu meu pai, um brasileiro a trabalho em Buenos Aires, onde minha mãe foi viver quando meu avô se mudou para lá para montar mais uma fábrica na América Latina, dessa vez da Dana.

Não, meu avô não era industrial nem herdeiro de fábricas. Era um perfumista, intelectual e um cara que sabia viver (sim, um bon vivant).  Amigo de seus patrões ele era o cara de confiança para andar pelo mudo e fazer essas fábricas “virarem”, até ser mandado para outro canto  do mundo cuidar de outra fábrica.

Numa dessas estava na Holanda, quando as tropas de Hitler invadiram aquele país neutro na guerra. Mas Hitler lá dava bola pra isso? Um ano na Holanda sem conseguir voltar pra Espanha nem mandar notícias… Voltou doente num daqueles trens que aparecem no filme “A lista de Schindler”. Perfeitamente retratados segundo minha mãe que lembra quando ainda menina ia carregada pela minha avó esperar os trens na esperança de que meu avô estivesse em um deles.

Mas não foram só histórias tristes, ao contrário. Porque  os espanhóis (pelo menos na minha cabeça) são ensolarados, sabem viver, são donos de um humor inteligente e otimista. Se os espanhóis não são assim, minha família é.

Enfim, um dia talvez escreva um livro, mas antes tenho que terminar a dissertação, a tese, o pós doc… Como viverei muitos anos, chegará o dia do livro, um romance  histórico. E farei muita pesquisa histórica para escrevê-lo… Hmmm… Pesquisa de novo? :)


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